Revolução Constitucionalista 2019

O feriado paulista de 9 de Julho vai cair em 2019 numa terça-feira. A data lembra a eclosão da Revolução Constitucionalista de 1932, um dos episódios mais tensos da história brasileira, quando São Paulo se rebela contra o Governo Federal exigindo maior participação política e uma nova Constituição. Nos anos 1920 ainda reinava a Política do Café com Leite, quando São Paulo e Minas Gerais se alternavam no comando do Brasil.

Mas em 1930, o então presidente paulista Washington Luís quebra o acordo tácito com a elite mineira, lança seu sucessor, Júlio Prestes, que vence eleições com fraude, como era o normal na época, mas fica pouquíssimo tempo na Presidência. Minas articula um golpe de Estado com o apoio da Paraíba e do Rio Grande do Sul para pôr o gaúcho Getúlio Vargas no poder. Chegaram a batizar o episódio de Revolução de 1930, que, longe de sê-la, foi só mais um golpe para preservar as oligarquias de sempre no comando da nação.

Getúlio assume e estabelece o seu poder com a força. Cancela a Constituição vigente desde 1891, retira do poder governadores de quem não gosta e nomeia interventores para governar os estados controlados por inimigos. Nesse processo São Paulo ficou totalmente alijado da política nacional. Em 1931, no entanto, o Estado começa a organizar uma frente de oposição ao Governo Federal exigindo uma constituinte e novas eleições. O Tenentismo, um movimento político nascido entre oficiais de média patente do Exército e com fileiras engrossadas por civis cresce, se posiciona em favor dos paulistas e aglutina as reivindicações de São Paulo perante a Federação.

Era uma época de polarização e diariamente tenentistas e getulistas entravam em conflito em São Paulo. No dia 9 de julho de 1932, quatro jovens tenentistas morrem num confronto com tropas federais. São Paulo declara guerra contra a Federação. As socialites paulistanas organizam doações de jóias para financiar o movimento. Mulheres se juntam para produzir uniformes. O Estado mobiliza um contingente de 30 mil homens, a maioria da Força Pública, hoje Polícia Militar, contra 100 mil soldados das forças federais.

Os dois lados eram muito mal equipados, de sorte que as mortes do conflito foram proporcionalmente baixas. Militarmente, os paulistas acabaram derrotados. Mas no campo político a vitória foi deles. Em 1932 Getúlio convocou eleições gerais para uma Constituinte. Dois anos depois, uma nova Constituição fora promulgada, a primeira, aliás, a legitimar o voto feminino.

Imagem: Cartão Postal do MMDC, 1932, CPDOC/CDA Roberto Costa