Proclamação da República 2019

O feriado da Proclamação da República vai cair em 2019 numa sexta-feira, 15 de novembro, e homenageia o golpe de Estado militar que deu origem à nossa República, nascida sem nenhuma participação popular e com princípios democráticos questionáveis. O ano era 1889. O regime monárquico do imperador Pedro II havia perdido basicamente todos os seus pilares de sustentação.

Em crise econômica, o Brasil ainda pagava os empréstimos feitos para custear a Guerra do Paraguai encerrada três décadas antes. A vaidosa classe militar, que acumulou prestígio com a vitória sobre o país vizinho e se via como a reserva moral do País, estava em frangalhos, submetida a um comando civil escandalosamente melhor remunerado e nomeado às conveniências das oligarquias.

Os escravos que lutaram no conflito não foram alforriados, apesar da promessa. A elite rural não estava satisfeita com o fim da escravidão um ano antes, em 1888. Os abolicionistas também estavam descontentes com o Império, por ter demorado demais para pôr fim à escravidão. Até a Igreja estava descontente pela manutenção de uma lei que exigia aval do imperador para a aplicação no Brasil de decretos papais. Por fim, Pedro II não teve filhos homens e havia o receio de que o Brasil passasse a ser governado por um francês chamado Conde D’eu ou, pior, por sua esposa, a princesa Isabel, que, muito religiosa, seria apenas o fantoche da Igreja no comando do Estado.

Àquela altura, o movimento republicano no Brasil estava bastante organizado, mas era muito ruim de voto. Sem conseguir chegar ao poder pelas urnas em várias eleições, a alternativa foi se aliar aos militares descontentes para tramar um golpe de Estado. O marechal Deodoro da Fonseca, herói condecorado da Guerra do Paraguai e extremamente respeitado entre os  oficialato do Exército, foi cooptado para encabeçar o golpe.

Ele era monarquista e se dizia amigo de Pedro II, mas foi convencido de que a ruptura do regime era necessária para resgatar a classe militar da miséria em que se encontrava. O 15 de novembro de 1889, dia do golpe, foi uma data ambígua. Há registros de que Deodoro teria reprimido um grupo de republicanos que dava vivas à República logo após a tomada do poder. Também não houve naquele dia qualquer manifestação formal da mudança do regime.

A oficialização ocorreu dias depois e sem a participação do líder do movimento, Deodoro da Fonseca. A Marinha divergiu do Exército e, de seus navios na Baía de Guanabara, em apoio ao imperador, chegou a bombardear alvos no Rio onde estavam soldados da força de terra. Mas o golpe teve sucesso, os republicanos se estabeleceram no poder, a família real foi removida do Brasil às pressas e à noite para evitar comoção social, tendo autorização para retornar da Europa só em 1920.

A Proclamação da República deu início à era republicana no Brasil, que, quase 130 anos depois, ainda sofre com solavancos democráticos e falha na construção de um Estado de bem-estar social.

Imagem: Proclamação da República (Benedito Calixto, Pinacoteca Municipal de São Paulo)
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